aquieta impávido sussurro. reconstrói a morada do silêncio que gritou para mim. nina meus tormentos - como ontem. apaga esses girassóis em falso e o sol profano que insiste em me dizer que sim, que há luz, que há brisa, enquanto meus jardins - e seus muros - me obrigam a olhar para o lago que seca
e seca.
e cada vez mais seca.
( [sobre]viver é uma espécie de empecilho. uma fraude.)
domingo, 17 de maio de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
O texto gelado, que é quente.

Guerra Fria. Não declarada, tão interna que externa. Bipolar. Diz-se do conflito entre o polo norte e o polo sul. Aquele 'vou, não vou' constante que confunde até a mente mais sã, expondo os indivíduos aos impulsos mais arcaicos do ser humano: a ironia e a falsidade. Dentre outras palavras, o jogo não-limpo que, por ser quieto, também não é sujo.
'Famosa por ser a maior guerra que nunca ocorreu', muitos lhe diriam. Mas não se engane pelo princípio da não-violência. Essa historinha de que está tudo bem, até que alguém atire a primeira pedra. O que ocorre por baixo dos panos, via depoimentos no orkut ou comentários maquiavélicos, meu senhor, é só joguete? Mentira dói e não sara.
Até que ponto é tolerável, então, jogar sem escrúpulos numa guerra que diz-se por não-existente? É. Não há limites. De um lado o comodismo, a superficialidade e a troca de msn tão puramente calculada. De outro o fervor pela aventura, o errado que poderia dar certo e a eterna inconsequência que a vida adulta não levou.
E dá-se o início da corrida armamentista!
A loucura atrás da roupa perfeita, que combine com o sapato mais sexy e a maquiagem no puro nype nascida-para-matar. As piadas cuidadosamente decoradas, para caber em qualquer contexto, sem perigo de não fluir o assunto. Nesse período, lía-se muito 'O Príncipe', do Maquiavel, a fazia-se bem a lição de casa. Bem meeeeesmo. Tão bem que, ao fim, já não era possível dizer o que era lobo, ou o que era cordeiro... mas todos estavam mais para cadelas no sio, mesmo.
A loucura atrás da roupa perfeita, que combine com o sapato mais sexy e a maquiagem no puro nype nascida-para-matar. As piadas cuidadosamente decoradas, para caber em qualquer contexto, sem perigo de não fluir o assunto. Nesse período, lía-se muito 'O Príncipe', do Maquiavel, a fazia-se bem a lição de casa. Bem meeeeesmo. Tão bem que, ao fim, já não era possível dizer o que era lobo, ou o que era cordeiro... mas todos estavam mais para cadelas no sio, mesmo.
Guerra Fria. A bandeira branca. A bandeira negra. Cor-sim-cor-não. É o amor platônico esperançoso. Os mais experientes diriam pra você evitar sempre que for possível. Mas e quando transcende a possibilidade de se optar por um caminho? Já havia um traçado, colhega. Essa vida não é muito democrática.
Dar um primeiro passo e invadir o campo inimigo poderia mudar a cena do tabuleiro. Virar o mundo de pernas pro ar. Seria o tudou ou nada... e haja coragem pra chutar o contêiner, assim, né?! De um lado a posibilidade de uma vitória (há vencedores?) e, do outro, a chance irrevogável de se jogar 9 anos pelos ares. É o canhão derradeiro.
E essa guerra fria (que já nem é tão fria) tem talento pra pegar fogo? Ou deixaremos tudo como está: sem infringir leis, muito menos fronteiras, distâncias. Só há uma pessoa que pode acabar essa guerra e zelar pela paz mundial, não deixando feridos... o problema é que, me parece, ela tende ao lado inimigo.
Dentre tantas dúvidas, resta a certeza 'navalhenta': não haverá troféus, tampouco dignidade. O final é previsível. Ainda assim, vale a pena estender o meu 48 mm e dar um tiro pro ar? Afinal, no amor e na guerra, é cada um com a sua KGB.
Ganha o melhor 'icebreaker'! Quem extrapolar a maior quantidade de regras e se estabelecer de uma vez no 'falcatrua way of life'. Será que chegaremos ao ato maior de submissão mútua? E que se danem os acordos a serem feitos. Vale tudo.
Afinal, não quero entre nós um Muro de Berlim.
Pode ser guerra santa, quente,morna ou fria. O que vale é o beijo do amado sobre os distroços do oponente.
É.
Não é?
domingo, 29 de março de 2009
O Dia
O dia, que surgiu nublado, viu nascer um sol descarado, desavergonhado, sorridente, estridente até. Os poucos graus acima dos vinte viraram muitos acima dos quarenta. E as pessoas nas ruas, todas elas, murcharam entre sedas, lãs, cachecóis, pingentes e trapos.
Tudo assim, bem de repente.
Dos lados, nas calçadas, nas ruas, nos bares, nos becos, homens e meninos, raparigas e mulheres começavam a ser incomodados pelo calor insurgente. Abanos, formigamentos, suores, cheiros e sucos de laranja gelado. A água salgada que surgia em cada fronte, mesmo nas mais lustrosas, carregava, não se sabe como, uma pedaço da alma também.
Uma película de terror antes do meio-dia.
Um alarme gritou pela cidade, pelos países, pelo mundo. Todos derretiam. A menina virou o seu próprio deleite (que belo sonho de infância!) e fez desaparecer seu último suspiro entre as cores rosa e azul do seu algodão-doce. A moça que comprava o vestido, casadoira do mês de Julho que seguia, resumiu-se aos limites da aliança de ouro. O homem de negócios, empertigado com sua pasta de couro, findou-se ainda preso à gravata. O ladrão de poucas coisas, malandro recém saído das fraudas, chorou copiosamente enquanto desfalecia entre o boné e o bigode ralo. A senhora gorda, ávida por remédios de cessa-fome e gorduras intrépidas, viu com prazer seu corpo esbelto antes de quedar-se, e esta pode-se dizer que não sofreu. A moça de maquiagem deixou um vestígio multicolorido na calçada verde-musgo. O adolescente fazia tilintilim enquanto desprendiam dele os seus muitos anéis. A dona de casa sumiu no bolso do avental. O presidente virou água do lago do palácio do Planalto. O papa coube no seu anel de rubi. O Bush? Bem...dizem que o Bush acabou-se fedendo bem.
Em resíduos humanos, ela, a humanidade, virou pasta uniforme, monstro disforme. E conta a lenda que renascerá um dia, una e firme, confluídos de fluídos, para brincar mais uma vez de ser Deus. As baratas, ah...as baratas. As baratas, sempre vencedoras, somente riram em seus buracos. Riem até hoje.
Tudo assim, bem de repente.
Dos lados, nas calçadas, nas ruas, nos bares, nos becos, homens e meninos, raparigas e mulheres começavam a ser incomodados pelo calor insurgente. Abanos, formigamentos, suores, cheiros e sucos de laranja gelado. A água salgada que surgia em cada fronte, mesmo nas mais lustrosas, carregava, não se sabe como, uma pedaço da alma também.
Uma película de terror antes do meio-dia.
Um alarme gritou pela cidade, pelos países, pelo mundo. Todos derretiam. A menina virou o seu próprio deleite (que belo sonho de infância!) e fez desaparecer seu último suspiro entre as cores rosa e azul do seu algodão-doce. A moça que comprava o vestido, casadoira do mês de Julho que seguia, resumiu-se aos limites da aliança de ouro. O homem de negócios, empertigado com sua pasta de couro, findou-se ainda preso à gravata. O ladrão de poucas coisas, malandro recém saído das fraudas, chorou copiosamente enquanto desfalecia entre o boné e o bigode ralo. A senhora gorda, ávida por remédios de cessa-fome e gorduras intrépidas, viu com prazer seu corpo esbelto antes de quedar-se, e esta pode-se dizer que não sofreu. A moça de maquiagem deixou um vestígio multicolorido na calçada verde-musgo. O adolescente fazia tilintilim enquanto desprendiam dele os seus muitos anéis. A dona de casa sumiu no bolso do avental. O presidente virou água do lago do palácio do Planalto. O papa coube no seu anel de rubi. O Bush? Bem...dizem que o Bush acabou-se fedendo bem.
Em resíduos humanos, ela, a humanidade, virou pasta uniforme, monstro disforme. E conta a lenda que renascerá um dia, una e firme, confluídos de fluídos, para brincar mais uma vez de ser Deus. As baratas, ah...as baratas. As baratas, sempre vencedoras, somente riram em seus buracos. Riem até hoje.
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