quinta-feira, 25 de junho de 2009
meu corpo bastardo se desaloja enquanto releio as bulas do teus remédios (tua contra-indicação) procurando alguma cura. ou alguma perversão. sou tão opaca destilando verbos sem sentido como fossem estes potentes como veneno! vou tecendo fios de cobre, trancafiando as nossas memórias, envencilhando nossos restos aqui e acolá, represando marés que se são donas e engaiolando vendavais rebeldes. tateio no escuro do quarto, no legado da cama, alguma sanidade que me leve pra longe, bem longe deste gosto de antídoto na boca.
terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Não, não, eu não serei uma daquelas pessoas que tomam café com creme sozinhas no cinema enquanto esperam a sessão. Tampouco serei uma moça de cabelos molhados que mais olha para o chão do que para os outros entre estantes de uma livraria. Também não vou ter ares de pequena loucura, olhos fundos deitados sobre um livro, uma folha branca sendo preenchida enquanto um copo é esvaziado em algum restaurante quase chique da zona sul (tão digno de mim que indigna de tudo!). E nem me imagine como uma distinta senhora de cabelos brancos e óculos de aros vermelhos a dourar a pílula da vida alheia - sublimando os desejos que nascerão entre as minhas vírgulas - quando chegar a tarde dos meus anos todos. Não tenho fôlego para viver assim, aos poucos, pela tangente, vc sabe. Vou seguir o roteiro que eu tão bem tracei, vou vestir a personagem e seguir bailando: mãos na cintura, olhares lascivos, risadas largas e tiradas de humor dúbio. Eu, elas e eles, todos. Pq eu sou mesmo muito boa em fazer amor, amigos e macarrão instantâneos.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
e então ele passava os dias lá, pouco reparando no tempo líquido, sem evitar a morte e sem pretendê-la. já não era um homem, por assim dizer, embora não tivesse deixado de lado a aparência severa dos que tem brio, uma barba quase sempre por fazer e os formigamentos do corpo. achava que amanhecer era muito lógico e que escurecer era consequência. não questionava, não temia, não sentia sobressaltos. um dia, sentiu o peito arder. não era fadiga, já que não se cansava nunca, não era amor, já que esse era verbo distante. com a mão esquerda em garra sobre a camiseta vermelha, entendeu que era o fim. arrumou-se no melhor terno, fez o cabelo afixar-se em gomalina, comeu alguma coisa e esperou.
esperou por anos.
esperou por anos.
domingo, 17 de maio de 2009
aquieta impávido sussurro. reconstrói a morada do silêncio que gritou para mim. nina meus tormentos - como ontem. apaga esses girassóis em falso e o sol profano que insiste em me dizer que sim, que há luz, que há brisa, enquanto meus jardins - e seus muros - me obrigam a olhar para o lago que seca
e seca.
e cada vez mais seca.
( [sobre]viver é uma espécie de empecilho. uma fraude.)
e seca.
e cada vez mais seca.
( [sobre]viver é uma espécie de empecilho. uma fraude.)
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